Lendas do queijo: O pedacinho farto de queijo

Era uma vez um caçador empenhado e habilidoso em Unterschächen, que nada mais apreciava do que escalar as montanhas para caçar cabritos monteses.

Certa vez, quando perambulava com sua espingarda, avistou um homem pequeno e idoso sentado no caminho.

“Por que matas meus cabritos?” perguntou-lhe o homúnculo.

“Tenho mulher e filhos”, respondeu-lhe o caçador, “de que podemos viver?”

“Muito bem”, disse-lhe o pequeno homem, “proponho-lhe um negócio. Dou-lhe este queijo. Tu e tua família haveis de ter sempre fartamente o que comer, desde que não o comeis por inteiro. Tens de me prometer, todavia, deixar meus cabritos em paz e jamais voltar a matar nenhum deles.”

O caçador concordou e o homúnculo lhe deu o pedacinho de queijo.

“Mas lembre-se, jamais poderás voltar a atacar meus animais, ou sofrerás de muitos males!” advertiu-o o homúnculo uma vez mais, antes de desaparecer.

O caçador levou o queijo para casa e fez o que lhe havia sido dito. O queijo não parecia ser suficiente nem mesmo para uma só pessoa, mas quando comeram todos do queijo, sua mulher, seus filhos e ele próprio, sentiram-se todos satisfeitos, e ainda sobrara mais queijo. No dia seguinte o queijo tinha o mesmo tamanho do dia anterior.

Assim passaram-se muitos anos, e o queijo os satisfazia diariamente por completo.

Após longo tempo, a vontade de caçar apoderou-se de novo do caçador. Avistava as montanhas e sua espingarda ociosa, pendurada na parede, lembrando-se dos velhos tempos. Um belo dia, disse à mulher: “Vamos nos premiar e comer o queijo inteiro hoje!” Mas uma das crianças deixou cair, por acaso, um pedacinho do queijo debaixo da mesa. No dia seguinte, o queijo estava inteiro outra vez.

Mas numa ocasião, o caçador convidou seus amigos para sua casa e todos comeram o queijo inteiro.

No dia seguinte, o caçador  tomou sua espingarda e subiu às montanhas. Escalou mais e mais alto, até avistar num cume da montanha acima de si um cabrito, branco como a neve. Quando armou a espingarda para atirar no animal, o homúnculo pulou em suas costas,  agarrou-se a ele e o puxou para as profundezas do abismo.